Terça-feira, 19 de Julho de 2011
PARA OS MEUS NETINHOS e não só...
BEM FEITO
Um chimpanzé brincalhão
sempre de dente afiado
a um emproado leão
deu uma trinca no rabo
O leão todo aflito
pôs-se a dizer por sinais:
- Então não vês seu maldito
que eu sou o rei dos animais?
Um mocho sábio que via
o que ali se passava
em tom sisudo afirmou
para toda a bicharada:
- Foi bem dada a trincadela
e o leão mereceu-a bem
pois todo o rei que se presa
não vira o rabo a ninguém!!!
___________________
E CADA QUAL É COMO É
Uma formiga com asas
voou e chegou-se à luz
queimou as asas, caíu
cá em baixo, catra-puz!
Um elefante corredor
por não ser sua a função
escorregou na banana
e deu com a tromba no chão!
Um leão que quis ser rei
pr'a mandar em todo o povo
ao ver um rinoceronte
deu às de "vila-diogo"!
E assim fica a lição
pr'a quem quiser entender:
- Cada qual é como é
e não o que julga ser!!!
Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009
PELOS AMIGOS ÍDOS
(Peixoto, Barros, Santos Silva e tantos outros)
Começo a olhar sem ver
tanta gente amiga
tantos caminhantes
da mesma utopia
tanta gente séria
sempre sorridente
gente tão diferente
gente a mim unida
E sinto cá dentro
tanta nostalgia
chamem-lhe saudade
ou outra coisa assim
e eu vou caminhando
sei lá até quando
e eles no destino
à espera por mim
Começo a olhar sem ver
tanta gente amiga
tantos caminhantes
da mesma utopia
tanta gente séria
sempre sorridente
gente tão diferente
gente a mim unida
E sinto cá dentro
tanta nostalgia
chamem-lhe saudade
ou outra coisa assim
e eu vou caminhando
sei lá até quando
e eles no destino
à espera por mim
Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
38 ANOS DE CASADOS (9.5.2008)
38 anos
de casados
tão lealmente
passados
(como passaram
depressa)
mil alegrias
mil tristezas
tantas dúvidas
certezas
mas cumprimos
a promessa
E o segredo
deste tempo
a projectar
no futuro
são carinhos
emoções
que os dois
vamos pagando
em recíprocas
muito ternas
e suaves
prestações
de casados
tão lealmente
passados
(como passaram
depressa)
mil alegrias
mil tristezas
tantas dúvidas
certezas
mas cumprimos
a promessa
E o segredo
deste tempo
a projectar
no futuro
são carinhos
emoções
que os dois
vamos pagando
em recíprocas
muito ternas
e suaves
prestações
Terça-feira, 8 de Abril de 2008
FADÁRIO PORTUGUÊS
Somos um velho navio
adornado e vazio
sem velas nem remos
quedos olhamos pr'o céu
à espera que um Deus
faça o que não fazemos
Temos as solas furadas
e as pernas cansadas
de andarmos pr'a trás
é urgente usar o juízo
navegar é preciso
para quem for capaz
é urgente largarmos do Porto
trespassar o mar morto
pr'a uma praia maior
é urgente usar o juízo
navegar é preciso
sem um Adamastor!
adornado e vazio
sem velas nem remos
quedos olhamos pr'o céu
à espera que um Deus
faça o que não fazemos
Temos as solas furadas
e as pernas cansadas
de andarmos pr'a trás
é urgente usar o juízo
navegar é preciso
para quem for capaz
é urgente largarmos do Porto
trespassar o mar morto
pr'a uma praia maior
é urgente usar o juízo
navegar é preciso
sem um Adamastor!
Quarta-feira, 12 de Março de 2008
UMA FLOR POR HIROSHIMA
Vai o homem carrega o botão
o botão descarrega a metralha
a metralha destrói um milhão
restam cinzas no chão da batalha
mas o homem renasceu da cinza
rasga a terra e semeia uma flor
uma flor...
Nunca mais pode haver Hiroshima
nunca mais o troar dos neutrões
nunca mais pr'a uma esquadra assassina
os Açores sejam porta-aviões
que esta gente busca paz e sossego
como a abelha procura uma flor
uma flor...
Nunca mais pode haver um sistema
com tesouras que façam censura
nunca mais se cale um poema
que já é história tão vil ditadura
e nos canos das nossas espingardas
primavera, em Abril, já deu flor
uma flor...
o botão descarrega a metralha
a metralha destrói um milhão
restam cinzas no chão da batalha
mas o homem renasceu da cinza
rasga a terra e semeia uma flor
uma flor...
Nunca mais pode haver Hiroshima
nunca mais o troar dos neutrões
nunca mais pr'a uma esquadra assassina
os Açores sejam porta-aviões
que esta gente busca paz e sossego
como a abelha procura uma flor
uma flor...
Nunca mais pode haver um sistema
com tesouras que façam censura
nunca mais se cale um poema
que já é história tão vil ditadura
e nos canos das nossas espingardas
primavera, em Abril, já deu flor
uma flor...
Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007
OLHOS DOCES
Há olhos que nos dizem sem falar
muito mais do que eu contava ouvir
há olhos doces, olhos meigos como penas
que são prisões de onde ninguém quer sair
há olhos verdes tão profundos como o mar
olhos azuis que através deles vejo o céu
e olhos castanhos que encantam tanta gente
que corro o risco de também me perder eu
há quem diga que pelos olhos se vê a alma
e eu acredito porque sinto que assim é
ao olhá-los logo se acende uma chama
que até um ateu neles encontra um mar de fé
por isso canto os olhos todos
sejam verdes, escuros ou azuis
o que eu preciso é olhá-los nos meus olhos
e de perder-me como os peixes nos anzóis
muito mais do que eu contava ouvir
há olhos doces, olhos meigos como penas
que são prisões de onde ninguém quer sair
há olhos verdes tão profundos como o mar
olhos azuis que através deles vejo o céu
e olhos castanhos que encantam tanta gente
que corro o risco de também me perder eu
há quem diga que pelos olhos se vê a alma
e eu acredito porque sinto que assim é
ao olhá-los logo se acende uma chama
que até um ateu neles encontra um mar de fé
por isso canto os olhos todos
sejam verdes, escuros ou azuis
o que eu preciso é olhá-los nos meus olhos
e de perder-me como os peixes nos anzóis
Sábado, 13 de Outubro de 2007
EM PAZ (dedicada a Angola)
Ouve-se à noite
muita batucada
o bicho no mato
vai fugir de medo
na cubata nova
a velha sentada
vai contar estórias
ao menino negro
falta-lhe uma perna
que a mina levou
faltam-lhe dois filhos
que a guerra matou
ainda falta à negra
muita caminhada
mas vai mais animada
que o pior passou
vai comer muamba
vai beber malavo
vai cantar de novo
"com muxima ué"
vai viver a farra
até de madrugada
e vai colher na lavra
tudo o que sonhou
vai ouvir-se à noite
muita batucada
e o bicho no mato
vai fugir de medo
na cubata nova
a velha deitada
vai dormir em paz
sonhar em sossego
muita batucada
o bicho no mato
vai fugir de medo
na cubata nova
a velha sentada
vai contar estórias
ao menino negro
falta-lhe uma perna
que a mina levou
faltam-lhe dois filhos
que a guerra matou
ainda falta à negra
muita caminhada
mas vai mais animada
que o pior passou
vai comer muamba
vai beber malavo
vai cantar de novo
"com muxima ué"
vai viver a farra
até de madrugada
e vai colher na lavra
tudo o que sonhou
vai ouvir-se à noite
muita batucada
e o bicho no mato
vai fugir de medo
na cubata nova
a velha deitada
vai dormir em paz
sonhar em sossego
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